Divisão de Laboratório Central do HCFMUSP garante serviço público de qualidade para a população | Newslab 144

A Direção de Laboratório Central, liderada pelo do Professor Doutor Alberto José da Silva Duarte, médico patologista clinico e diretor da divisão desde 2009, está localizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), maior complexo médico público da América Latina.

A DLC tornou-se uma referência em serviço de Medicina Diagnostica, na área pública, graças ao trabalho intenso e persistente de uma equipe gabaritada e bem orquestrada, que conta com o apoio da Direção da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo e do Conselho Deliberativo do HCFMUSP.

A DLC conta em seu quadro de profissionais com médicos, enfermeiras, bioquímicos, biomédicos, administradores com nível de doutorado e mestrado.

Reconhecendo a grandeza dos serviços prestados

Professor Doutor Alberto José da Silva Duarte

Professor Doutor Alberto José da Silva Duarte, médico patologista clinico e diretor da divisão desde 2009

A DLC, fundada em 1944, vem cumprindo sua missão de ser um serviço de Patologia Clínica que exceda as expectativas dos usuários e do corpo clinico, servindo-os com qualidade, comprometendo-se com a pesquisa e educação, fazendo das atividades do laboratório uma fonte de sucesso. Para atingir sua visão de futuro de tornar-se um centro de referência em Patologia Clínica nos aspectos assistencial, de ensino e de pesquisa.

As repercussões positivas da atuação da DLC vêm se refletindo na saúde pública do estado de São Paulo, ressaltando-se os aspectos de detecção e monitoramento da evolução de patologias, no estadiamento de moléstias, no gerenciamento das terapêuticas instituídas, nas triagens populacionais, na implantação de novos esquemas terapêuticos, no apoio à pesquisa na área médica praticada pela Faculdade de Medicina da USP.

A DLC recebe 3.000 pacientes por dia (internados, urgência e ambulatoriais) e realiza em média 11 milhões de exames por ano. Empregando tecnologia de ponta para a realização de exames de áreas diversas da Patologia Clínica tais como: biologia molecular, bioquímica clínica, hematologia, coagulação e hemostasia, citometria de fluxo, citologia, urinálise, imunologia, parasitologia, hormônios e microbiologia.

Também fornece apoio para vários hospitais públicos da grande São Paulo executando exames especializados.

Recentemente passou por um processo de reestruturação e de remodelação que permite ampliar sua capacidade produtiva e aperfeiçoar ainda mais os níveis de eficiência isto com o intuito de servir melhor e se adaptar ao mercado laboratorial, segundo Dr Faulhaber.

Laboratório do futuro

Segundo Dra Mendes, medica patologista clínica e coordenadora do Núcleo de Qualidade e Sustentabilidade da divisão, a DLC vem se preparando para as necessidades futuras da medicina diagnostica de um hospital terciário inovador como o HC-FMUSP. Ela enfatiza que neste sentido a DLC vem trabalhando com gestão de riscos, em busca de uma mentalidade de prevenção cada vez maior. A inovação na DLC tem sido efetuada nos processos laboratoriais, nas praticas de gestão laboratorial e nas relações com formadores de opinião, médicos e pacientes. Gradativamente têm sido introduzidas novas tecnologias, como a espectrometria de massas no monitoramento terapêutico, na detecção de infecções. Modernas técnicas estão sendo aplicadas na investigação e detecção de resistência bacteriana. As novas técnicas moleculares têm sido aplicadas tanto na pesquisa como na assistência. A citogenômica, já é uma realidade dentro da DLC.

Dr. Nairo Massakazu Sumita

Dr. Nairo Massakazu Sumita

Segundo Dr Nairo Massakazu Sumita, diretor do serviço de bioquímica clínica e coordenador do corelab, uma das novidades na DLC, é a consolidação de áreas técnicas como Bioquimica Clínica, Hormônios, Hematologia, Sorologia e Coagulação num grande corelab, com automação total, isto é, envolvendo todo o ciclo do exame desde a fase pré-analítica até a estocagem e o desprezo de amostras automaticamente na etapa pós analítica. Com isto, processos foram simplificados, colaboradores foram valorizados, ampliando a confiabilidade nos resultados dos exames laboratoriais, enfatizou Dr Sumita.

Para o Dr Marcos Antonio Munhoz, diretor do serviço de hematologia da divisão, os analisadores hematológicos disponíveis na DLC atualmente possibilitam realizar o hemograma empregando-se automação na realização do esfregaços e coloração destes, conjugada com os analisadores de imagens e inteligência artificial.  Com isto houve reduções substanciais nos tempos de atendimento totais para este exame, sobretudo nos pacientes da emergência do pronto socorro.

Segundo o Professor Duarte sua gestão não foca apenas em equipamentos modernos, as questões referentes aos processos, tecnologia da informação e satisfação de clientes estão sendo pautadas e, consequentemente, refletem-se em qualidade e agilidade na entrega dos resultados. “Nossa ideia é fazer com que os equipamentos e toda esta tecnologia fiquem a serviço da eficiência. Queremos facilitar cada vez mais a vida do paciente. Com isso, os exames de rotina poderão estar nas mãos do médico solicitante em até 2h. Em suma, nosso objetivo é que o paciente tenha uma solução para os seus problemas de saúde sem retornar ao hospital muitas vezes facilitando a vida dele, do médico, bem como de toda a cadeia de saúde”.

DLC atuando na vigilância de infecções hospitalares

Dr. Marcelo Faulhaber

Dr. Marcelo Faulhaber

Além da comodidade para o paciente, a prevenção de riscos e danos da DLC vem atuando em outra questão que merece alerta, não apenas por sua natural complexidade, mas também pela responsabilidade e capacidade da divisão em precaver e evitar situações piores com infecções hospitalares por bactérias super-resistentes. Para isto a equipe da DLC tem trabalhado com a equipe de controle de infecções hospitalares. E já está disponibilizando um detector de marcadores genéticos específicos associados com bactérias resistentes aos antibióticos Carbapenem, com isto o hospital pode identificar mais rapidamente estas perigosas bactérias resistentes a certos antibióticos.

“Dentre as necessidades para o futuro do laboratório central é estar é estar muito atendo às infecções hospitalares. Há uma previsão que em 2050 haja um grande percentual de mortes decorrentes de infecções por bactérias resistentes”, alerta Dr. Alberto. Para isso, antes que a ameaça cresça ainda mais, há o objetivo já ser mais eficiente possível na análise e mapeamento dessas superbactérias. “O que estamos fazendo é utilizar uma ferramenta revolucionaria denominada espectrometria de massas do tipo MALDI (Matrix Assisted Lazer Desorption Ionization), seguido pela detecção em um analisador do tipo tempo de vôo, sigla TOF (do inglês Time of flight), que favorece resultados na identificação bacteriana exatos e em curto espaço de tempo. E com a identificação dos germes e o médico poderá escolher o antibiótico que deve ser utilizado.

Segundo Dr Sumita a força tarefa para tornar os tratamentos mais eficazes conta com o apoio da DLC monitorando os níveis terapêuticos destes antibióticos administrados evitando-se intoxicações. “Estamos falando de drogas caríssimas e fortes, então sem uma pré-analise, o paciente pode sofrer os efeitos colaterais, mas não sente os benefícios. Estamos então evoluindo de certa maneira para uma medicina cada vez mais personalizada”, concluiu o Profº Alberto Duarte.

DLC como centro formador de profissionais para o mercado laboratorial   

A DLC recebe estagiários não médicos para cursos de especialização, preparando-os para o mercado laboratorial brasileiro, e através de convênios internacionais tem apoiado também a formação de médicos patologistas clínicos Angola e Moçambique.

Outro ponto destacado durante à visita ao laboratório foi o panorama do mercado profissional laboratorial atual para os patologistas clínicos. Segundo o Profº Alberto Duarte há um movimento nacional de valorização do patologista clinico em laboratórios hospitalares, ao qual ele pertence. “Há uma discussão em andamento para que, ao menos nos hospitais, os laboratórios empreguem patologistas clínicos pela sua formação podem contribuir para inúmeras situações dos pacientes internados. Além da comunicação mais precisa com o corpo clinico. Não é raro nos depararmos com resultados críticos,  os quais representam uma possibilidade de morte do paciente, caso não sejam comunicados e o clinico assistente não tome uma conduta especifica. Ninguém melhor que o patologista clinico para contribuir para a correlação clinico laboratorial com o colega, demonstrando muitas vezes como interpretar determinados resultados  de exames.”

O uso racional de recursos

Dr Sumita, como membro do grupo de uso racional dos exames laboratoriais da DLC, explica que cabe ao patologista clinico também divulgar a necessidade do uso racional dos exames laboratoriais para que o sistema de saúde seja sustentável.  Por fim, o diretor da DLC alerta que, acima de tudo, essa é uma questão de economia: “No exterior, notamos cada vez mais, que o médico clinico reporta para o patologista o histórico do paciente, para que esse indique os exames adequados, evitando assim o desperdício. Normalmente o médico pede uma bateria de exames, onde 70% dos resultados são normais. Em uma medicina cada vez mais cara, isso é desperdício. E para evitar isso, é necessário ser cada vez mais objetivo. O patologista clinico é aquela pessoa que conhece as metodologias e a por sua capacidade diagnóstica vai indicar quais os exames exatos que devam ser usados”.

Estimulo à pesquisa

No que importa à pesquisa, a DLC é bastante atuante nesse tema. De acordo com o Dr. Marcelo Faulhaber, consultor da divisão, a USP possui mais de 60 Laboratórios de Pesquisa Médica (LIM), cada qual tratando de sua especialidade, a DLC conta com o LIM 03 na FMUSP.

Diante disso, o laboratório central trabalha em duas frentes. A primeira é servindo de apoio para pesquisa de várias especialidades – atualmente há 442 trabalhos ativos nesse sentido.

Dentro do LIM 03 há pesquisadores associados interdisciplinares, cuja finalidade é a pesquisa sempre voltada aos diagnósticos. “Atualmente temos vários temas como: a citogenômica, espectrometria de massas, na identificação de fungos, investigação de hemoglobinopatias, gestão da qualidade, monitoramento de drogas imunossupressoras, citologia de líquidos cavitários e citometria de fluxo. Sobre estes estudos, o Profº  Alberto Duarte ainda destaca uma linha que o tem deixado entusiasmado. “Uma área que estamos iniciando agora é a de microbioma. Cada vez mais tomamos conhecimento que a fauna existente em nosso intestino é extremamente importante e o tanto que ela é responsável pela síntese de muita coisa. O número de bactérias existente em nosso intestino é uma coisa incrível. Porém, só sofre uma série de influências, com o que comemos e o que bebemos. Então tudo isso tem um contexto bastante importante. Estamos estudando o microbioma em diversas situações. Por exemplo, na cirurgia bariátrica ou em pacientes com HIV, que tem sua flora alterada. E a partir daí surgem diversos probióticos, que trabalham no estimulo de determinadas bactérias, faz com que o fluxo intestinal melhore e toda produção relacionada à essas bactérias também”, conclui o diretor da DLC.

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Oasis no serviço público

Sobre qualidade, o laboratório possui certificações e acreditações respeitáveis, dentre eles as certificações do NBR ISO 9001 (Sistema de Gestão de Qualidade), NBR ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental) e OHSAS 18001 (Sistema de Gestão de Saúde Ocupacional e Segurança).

Além disso, possui a acreditação pelo Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos – PALC da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial – SBPC/ML e a acreditação internacional do College of American Pathologists (Colégio Americano de Patologistas), junto à somente 700 laboratórios fora dos EUA.

Diante da descrença dos serviços públicos nacionais, concluímos nossa visita ao Laboratório Central do HCFMUSP com uma impressão de termos visitado um oásis no serviço público. E de acordo com a Drª Mendes, conseguimos entender o motivo disso: “Nossa equipe se esforça muito para que façamos exames dentro das boas práticas, porque nossos usuários já pagaram previamente pelos exames através dos impostos. Portanto, não estamos fazendo mais que nossa obrigação, que é poder cumprir com a missão de ser um serviço público com qualidade”.


 

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