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Qualidade na relação médico-laboratorial

A utilização de exames complementares e sua correta solicitação e interpretação são essenciais para a boa conduta clínica e resolução dos problemas do paciente. Esta relação médico-laboratorial tem sido harmônica, entretanto, pode ser melhorada. Por esta razão, foi fundado, nos Estados Unidos, o Instituto para Qualidade em Laboratório Médico (Institute for Quality in Laboratory Medicine) (IQLM). (http://www.phppo.cdc.gov/dls/iqlm/default.aspx). Em sua recente publicação (Butterly J R and Horowitz RE) “as cinco coisas que mais irritam os médicos sobre os laboratórios e as cinco coisas que mais irritam os laboratórios sobre os médicos”, o IQLM apresenta dados que possibilitam uma melhor relação médico-laboratorial. Entre os pontos de vista dos médicos, os cinco principais descontentamentos estão:
1. Falta de informações que auxiliem a interpretar os resultados. Há os valores de referência, mas, entre estes ou fora destes valores, qual a chance de existir alguma patologia? Há algum exame que possa substituir com vantagens o que está sendo solicitado?
2. Falta padronização dos valores de referência e das unidades. Alguns exames apresentam unidades de valores diferentes, dependendo do laboratório onde é realizado, ou mesmo, em alguns casos, com unidades métricas diferentes (por exemplo: glicose em mg/dL ou mmol/L)
3. Condutas técnico-administrativas laboratoriais que interferem no cuidado do paciente. Perda de material, material coletado de forma inadequada, material insuficiente, entre outros, poderiam ser evitados e não expõem o paciente ao desconforto ou risco de nova coleta.
4. Realização de teste errado. Isto pode ser resultante de solicitação de difícil leitura. Mas não cabe ao laboratório adivinhar qual exame foi solicitado.
5. Outros. Alterações de valores de referência, metodologias, atraso na entrega de resultados sem a comunicação prévia. Por outro lado, entre as reclamações mais comuns observadas pelos laboratórios estão:
1. Comunicação com o solicitante. Alguns exames apresentam valores bastante alterados, principalmente quando não foi coletado no próprio laboratório e há necessidade de comunicar ao médico solicitante. Freqüentemente não há dificuldade em contatá-los e/ou, não raramente, não há retorno por parte dos médicos solicitantes.
2. Solicitação de exames de Emergência/ Urgência. Nestas solicitações, o laboratório modifica suas rotinas, mobiliza pessoal para a realização destes exames o que resulta em atraso de suas rotinas. Entretanto, a grande maioria destes exames não fornece dados necessários para uma conduta ou diagnóstico de emergência. Isto é, não são emergências reais.
3. Falta de dados do paciente. Alguns exames, principalmente relacionados à anatomia patológica, não apresentam dados de história do paciente. Muitas vezes, estes possibilitam uma melhor análise destes materiais.
4. Solicitações inapropriadas de testes. Muitas vezes, os médicos solicitam exames extremamente sofisticados e/ ou recentes e, que na prática, ainda não estão disponíveis nos laboratórios clínicos. Outras vezes, há exames melhores e mais modernos disponíveis e que não são solicitados pelos mesmos.
5. Falta de respeito. O termo falta de respeito, e todas outras variações, são comumente utilizadas pelos laboratórios para descreverem os médicos. Freqüentemente estes médicos telefonam ao laboratório e culpam estes por resultados laboratoriais que não satisfazem suas necessidades, sem que o mesmo discuta sobre possíveis soluções para estas situações. O objetivo destas citações são reconhecer e estabelecer um melhor diálogo entre o laboratório e o médico para que o paciente, o principal interessado, possa ser sempre beneficiado.

Referência
1.
Butterly J R and Horowitz R E. "Controversies in Laboratory Medicine: A Series From the Institute for Qualityin Laboratory Medicine." Medscape General Medicine1.8 (2006): 47 Extraído do Informe Científico do Lab.Alvaro

www.alvaro.com.br


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